segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O "ENCENOURADO"




O Pereira tem 56 anos e é pastor. No passado mês de Maio, atormentado pelos calores que chegavam de Espanha e porque as ovelhas lhe deram uma folga, deu para levantar os olhos para a patroa Olga.


Esta não gostou e despediu-o.


A semana passada, o Tó, marido da Olga telefonou ao pastor a prometer-lhe de novo emprego. Apaixonado ou parvo, não se sabe muito bem (talvez as duas coisas), o Pereira fez-se ao comboio e tentou regressar ao Sabugal, via Castelo Branco. Aqui, estava o Tó à sua espera para o levar de camionete. Para os lados da Foz do Cobrão, o Tó e a Olga que por "milagre" apareceu, "encenouraram" o Pereira, abandonando-o de seguida despido e "dorido" nos montes.


Conseguiu chegar o desgraçado, no dia seguinte já de noite, a Castelo Branco onde procurou a Esquadra da PSP para contar as suas "dores".


O Cuco que o recebeu achou não ser aquela a sua "especialidade" e enviou o desgraçado para a GNR local.


No Posto "o praça que o recebeu estava sozinho e não pôde fazer nada", pelo que o pastor fez quase cem quilómetros a pé e à boleia para ir até ao Sabugal, onde a sua história veio a público, tendo o casal de abusadores sido detido e logo ter sido solto.


Pobre pastor Pereira!


Da cenoura, parece que ninguém sabe.


O senhor ministro Pereira já perguntou porque estava um praça sózinho (contra as suas ordens expressas), no Posto de Castelo Branco.


7 comentários:

Anónimo disse...

Então eu passo a explicar porque estava apenas um Praça (cuja designação foi recentemente alterada para Guarda) no Posto de Castelo Branco, tal como está agora e de há muitos anos para cá na maior parte dos Postos da GNR deste país:
Com o consulado do Dr António Costa foi prometido o El Dourado nesta matéria, para o efeito seriam libertados alguns milhares de militares das tarefas administrativas para a vertente operacional, sendo os seus lugares substituídos, por um lado através da desmaterialização dos serviços e por outro com recurso aos funcionários do quadro de disponíveis da função pública.
Nada disto aconteceu, e cada vez abrem mais concursos para especialidades que vão retirar militares dos Postos, tal como são feitos convites para os mais diversos serviços, constando-se que um destes dias abriu um com oito vagas para messes e bares.
Depois o pessoal que está nos Postos, tendo em conta o que viu publicado no Estatuto Remuneratório dos Militares da GNR, só tem uma ideia no horizonte: fugir de lá o mais rapidamente possível, para poder auferir dos suplementos que lá constam e a cujos montantes não têm direito nos Postos, pois neste âmbito são os que têm o pior trabalho e os que menos auferem.
Por isso, o Senhor Ministro não devia ficar admirado com o facto de estar apenas um militar no Posto da GNR de Castelo Branco, tendo em conta que a verborreia legislativa que dá origem a este tipo de situações é proveniente da AR e do Governo (poder legislativo e executivo deste país) e quando vier o horário de referência deve ter de se contratar alguma empresa de segurança privada para que o serviço possa ser assegurado durante as 24 horas x 7 dias por semana. Senão continuaremos a brincar à segurança com um carro patrulha (jipe ou ligeiro), com um ou dois guardas lá dentro, sem tampões, com pneus carecas e algumas luzes fundidas, a pegar de empurrão etc, etc, etc, a patrulhar (?????) a área de três ou quatro Postos.

Simplesmente Manel

Anónimo disse...

Quanto ao facto da PSP não ter recebido a queixa, tudo está relacionado com os famosos objectivos, neste caso: a diminuição da criminalidade na área dos diversos Comandos. Assim foi menos uma queixa, menos um NUIPC, menos um crime na zona de acção da Polícia, menos um crime no Relatório de Segurança Interna e por aí fora. No final todos batem palmas porque afinal a criminalidade até está a diminuir, mas neste caso o cidadão é que andou Beira Baixa/Beira Alta a sofrer com as dores da cenoura. Mas isto acontece com os furtos no interior de veículos, de veículos e com uma série de crimes, onde tudo se faz para que as pessoas não apresentem queixa ou a vão apresentar no “vizinho do lado”, depois admiram-se com as cifras negras e lá tem de andar o Boaventura Sousa Santos a aconselhar a realização do famoso inquérito de vitimização que tarda para que finalmente se saiba a verdadeira dimensão do crime neste país que cada vez mais de seguro não tem nada, apesar de nos quererem fazer crer o contrário através de publicações muito lustrosas.
Aliás os resultados estão à vista: dois carros da PSP incendiados no fim-de-semana, os da GNR só não ardem porque agora esta força de segurança apenas policia as zonas ultraperiféricas, quando abaterem o primeiro helicóptero, como no Rio de Janeiro, é que se começarão a discutir as medidas a tomar, e depois logo se verá.
Voltando às publicações lustrosas, já viram a última oriunda do Terreiro do Paço que por aí apareceu? Se viram, tentem ver quantas fotografias relativas à GNR aparecem na capa e contracapa? E no seu interior contabilizem as imagens relativas à GNR e à PSP. Dá que pensar não dá? Que saudades dos tempos em que tínhamos o céu como limite. Espero que alguns dos “geninhos estrangeirados” no regresso tragam uma lufada de ar fresco e sirvam de contrapeso ao cinzentismo que impera nas fileiras e que assim nos comecem a olhar de uma forma diferente. Precisamos urgentemente de ar fresco, porque senão o espaço físico e não só que a “força concorrente” ocupa tem tendência para aumentar exponencialmente, e um dia destes ainda acordamos com a “concorrência” a lutar ferozmente com as FA’s por causa da partilha das nossas competências.
Será possível já ter escrito tanto? Peço desculpa pelo facto….
Ainda queria falar mais da “barcos”, mas fica para uma próxima oportunidade.

Simplesmente Manel

Anónimo disse...

Pois...!!!
Na verdade isto é assunto de Ministro...só pode ser, ou em caso de dúvida de "General", talvez fosse bom haver uma escala de "generais de prevenção", para estudar estes casos e para os encaminhar para os serviços competentes, e havia outra vantagem, sempre recebiam mais um subsído de ...escala...
Haja decoro!
Antigamente, quando os "Comandos" da Guarda não usavam métodos científicos para resolver os problemas isto era tratado do seguinte modo:
O militar de plantão/atendimento, chamava a patrulha de ocorrências e informava o Comandante do Posto, que rápidamente encaminhavam a "vítima" para o seu destino.
Ao outro dia, ou ainda nessa noite seria informado o Cmdt Destacamento do facto, e caso necessário poderia promover uma ou outra diligência!
Agora não é assim, porque todos, TODOS, os militares vão descarregando para o imediatamente a seguir, até ao CG, que pede ajuda da Tropa...
E os oficiais da Guarda o que fazem???
Á falta de melhor, pensam fazer "revoluções" para serem promovidos... Se se descuidam ainda fazem, sem querer, outro 25 de Abril, como os seus camaradas das FA...
E se se insurgissem contra a qualidade do serviço que prestamos ao cidadão, contra a deficiente formação das praças e consequente qualificação técnica, que eles lhe deviam assegurar!
Veja-se o que VM diz no DN de hoje.
Há mais de um mês que o CG disse que gostaria de ver a "tropa" a combater o crime, mas só quando perceberam que podiam não ser "Generais" os oficiais revoltosos, se insurgiram com isso e com o Estatuto...
Promovidos por escolha? E quem garante que serão os escolhidos?
Permitam-me um conselho, defendam antes a promoção por inerência, ou seja, dadas as minhas origens "sangue azul" serei "general" ainda que não saiba ler, nem escrever...
Pobre Pastor!
O teu drama pôs a nu as fragilidades de uma "instituição" que tendo todas as condições para ser uma referência no País, vive mergulhada num turbilhão de guerras intestinas e lutas mesquinhas pela promoção, pela condecoração, enfim...voltada apenas para si e não para o cidadão!
Basta!

Anónimo disse...

1. Segundo o Artº 19º nº 2 da LO/GNR - Os militares da Guarda agrupam-se hierarquicamente nas seguintes categorias profissionais, subcategorias e postos:
a) Categoria profissional de oficiais:
i) Oficiais generais, que compreende os postos de tenente-general e major-general;
ii) Oficiais superiores, que compreende os postos de coronel, tenente-coronel e major;
iii) Capitães, que compreende o posto de capitão;
iv) Oficiais subalternos, que compreende os postos de tenente e alferes;

2. As promoções a oficial general realizam-se por escolha de entre os oficiais com formação de nível superior e qualificações complementares idênticas às exigidas para acesso aos postos de contra-almirante ou de major-general das Forças Armadas. (Artº 19º nº 3 LO/GNR).

3. Por seu turno, conforme se refere no Artº 23º nº 1 da LO/GNR, o comandante-geral é um tenente-general nomeado por despacho conjunto do Primeiro-Ministro, do ministro da tutela e do membro do Governo responsável pela área da defesa nacional, ouvido o Conselho de Chefes de Estado-Maior se a nomeação recair em oficial general das Forças Armadas.

4. De acordo com o Artigo 211.º do EMGNR são condições especiais de promoção a major-general:
a) Estar habilitado com formação de nível superior e qualificações complementares idênticas às exigidas nas Forças Armadas, de acordo com o previsto na LOGNR;
b) Ter o tempo mínimo de antiguidade de quatro anos no posto de coronel;
c) Para os coronéis das armas ter exercido as funções adiante designadas, pelo menos durante dois anos, com boas informações:
i) Comandante de unidade territorial;
ii) Comandante da unidade de acção fiscal;
iii) Comandante da unidade nacional de trânsito;
iv) 2.º comandante de unidade de comando de major--general;
d) Para os coronéis dos serviços ter exercido funções nos órgãos técnicos respectivos, pelo menos durante dois anos, com boas informações;
e) Aprovação no curso de promoção a oficial general.

O problema essencial do projecto de Revolução elaborado por alguns “puros”, oriundos da AM, que hoje veio a público nos OCS, deve-se ao facto de terem prometido a esses senhores que dentro de alguns anos seriam a elite dirigente da GNR, pois teriam nascido predestinados para o efeito, dado que os ex-milicianos (convertidos em QP’s através de um CFO) por serem espúrios nunca poderiam alcançar tal desiderato, resquícios daquilo que esteve na base de uma outra Revolução, a do 25 de Abril. Não deixa de ser estranho que passados 35 anos estas duas facções ainda se continuem a digladiar, só que desta vez no interior de uma força de segurança.
Contudo, de acordo com o meu ponto de vista, para que se seja oficial general da GNR, não é constitui condição especial de promoção que seja detentor de formação superior obtida na AM, mas simplesmente de formação superior. Como existem na GNR muitos Coronéis com formação superior, desde que satisfaçam as condições gerais de promoção e as restantes especiais, nada obstará a que ascendam a major general. Ocupando as vagas que estavam prometidas aos predestinados, os quais mercê de alguns artifícios legislativos cozinhados (medalha Nuno Alvares, notas de tiro na avaliação, coeficiente atribuído às licenciaturas e mestrados etc, etc, etc) fariam uma série de ultrapassagens que os colocaria rapidamente à frente dos espúrios que ainda são majores e nalguns casos tenentes-coronéis, estando rapidamente em posição de ascenderem a major general, mas o destino tem destas coisas.
Lamento que estes “puros” tenham posto os seus interesses pessoais à frente dos interesses colectivos da Guarda, porque tanto naqueles que são oriundos dos antigos CFO’s como naqueles que são oriundos da AM existam bons e maus oficiais, à semelhança daquilo que acontece nas outras duas categorias (Sargentos e Guardas), há é que conseguir que todos se unam em torno dos interesses gerais da Guarda e ao serviço da garantia da segurança dos cidadãos.

Simplesmente Manel

O Jacaré 007 disse...

Eh pá Simplesmente Manel disponha à vontade.
Sinta-se como na sua "meson".

Anónimo disse...

Simplesmente Manel!!!
Parabéns pela análise crítica... ainda podes aspirar a um lugar no CDF para ajudar a "pensar" a Guarda!
Quanto á contratação de Seguranças já estivemos mais longe dessa solução!
Não lhe dês idéias!

"Um espúrio"

Anónimo disse...

anda para aqui uma guerra!!! não é melhor chamar a tropa???

geninho janado