terça-feira, 6 de outubro de 2009

É TEIMOSA A SENHORA


Cooperação com Forças Armadas abre guerra na GNR


"As palavras do comandante-geral da GNR, em defesa da utilização do efectivo das Forças Armadas na luta contra a criminalidade, foram alvo de violentas críticas de oficiais superiores e dirigentes associativos da guarda. O general Nelson Santos viu-se mesmo obrigado a enviar uma nota a todo o dispositivo da guarda, para esclarecer a opinião que tinha defendido num encontro promovido pela revista Segurança e Defesa, na passada semana.
Enquanto a polémica se disseminou nos quartéis, porém, um outro alto dirigente da GNR, o general Carlos Henrique Chaves, comandante de Doutrina e Formação, voltou ao assunto, alertando para a necessidade de "consubstanciar, em termos legais, a colaboração" entre militares e polícias - o que, em termos práticos, implica uma alteração da Constituição da República.
A polémica, aliás, nasceu precisamente com o apelo de Nelson Santos aos responsáveis políticos, para que mudassem a Constituição de forma a permitir que os militares pudesse travar a criminalidade ao lado das forças de segurança. "A criminalidade não é um problema exclusivo das polícias e no seu combate devem ser empregues todos os meios que permitam ir vencendo as batalhas diárias, de forma a que a guerra global contra o crime nunca se perca, como infelizmente acontece noutras partes do mundo", declarou este alto responsável, que é também oficial do Exército.
O comandante-geral da GNR defendeu, na mesma conferência, que "terminaram os "tempos" em que a "criminalidade violenta" era uma "excepção". "Hoje, encontra-se claramente no topo das preocupações da sociedade" portuguesa, asseverou. "Importa que no nosso país olhemos o futuro com prudência e cautela, porque o crime e a violência continuarão a fazer parte do nosso quotidiano em dimensão, grau de incidência e configuração que são imprevisíveis", concluiu.
Críticas ao mais alto nível
Na GNR, esta intervenção, publicada no DN, causou controvérsia. Numa reunião, realizada poucos dias depois, com todos os comandantes do País, generais e coronéis, alguns dos oficiais superiores manifestaram-se contra a posição assumida por Nelson Santos. Este alegou que as suas palavras estavam inseridas num determinado contexto - e distribuiu aos seus oficiais cópias de todo o discurso que proferiu. Percebendo que a polémica podia alastrar, o general emitiu ainda um comunicado interno para todo o dispositivo da guarda, com um link remetendo para o site da GNR, onde está um ficheiro com o seu discurso.
A Associação de Profissionais da Guarda (APG), a mais representativa desta força, viu com muito maus olhos o que leu. O presidente José Manageiro considera "muito graves" as declarações do comandante. A APG considera que "responsabilizar as Forças Armadas pela actividade policial seria, no mínimo, militarizar a segurança interna do País, o que seguramente os militares não desejariam, por estarem vocacionados, como estão, para a defesa e contra a agressão de inimigo exterior. A missão das Forças Armadas é bem distinta da exercida contra prevaricadores de ordem e tranquilidades públicas", diz José Manageiro ao DN.
Em defesa do comandante-geral vem o responsável máximo da Doutrina e Formação da GNR, general Carlos Chaves, igualmente oficial do exército. Num artigo que vai ser publicado na revista do Instituto de Defesa Nacional, diz que é "por demais evidente a necessidade de, em termos legais, se consubstanciar a cooperação entre as Forças e Serviços de Segurança e as Forças Armadas, visando o "combate conjunto e/ou combinado nas respectivas missões, às designadas ameaças ou agressões de natureza transnacional".
Este oficial dá como exemplo o caso de França, onde existe "um Conselho de Defesa e Segurança Nacional, presidido pelo Presidente da República", no qual militares e polícias definem estratégias conjuntas. Do seu ponto de vista "é desejável que a Assembleia da República dedique a este assunto a maior atenção e cuidado.
Mas a polémica da participação das FA em missões de Segurança Interna também é política. Com a nova legislatura, prestes a abrir, mandatada para rever a Constituição da República, até o actual ministro da Defesa, Severiano Teixeira, veio já sugerir que a entrega às Forças Armadas de missões de segurança fosse discutida na Assembleia. Os programas dos partidos ignoram a matéria, pelo que só nos próximos meses se descobrirá o final da história".


A senhora dona Valentina anda a subir na vida. A prosa que acima se transcreve foi publicada pelo DN de ontem com direito a chamada à primeira página com quatro colunas.


Tenho no entanto alguns receios. Será que a D. Valentina conseguiu entrar na vulnerável rede informática da Revista Segurança e Defesa? Se não foi assim como teve acesso a uma peça que ainda vai ser publicada por aquela revista? Mistério!!..


Na célebre reunião de generais e coronéis ninguém questionou o senhor general. Primeiro porque o pessoal não é de questionar, segundo por aquilo que me disseram a maior parte dos coronéis não conseguiu entrar porque não tinha convite....


No entanto agora fiquei mais descansado. A D. Marcelino informou o povo que afinal os países que os senhores generais querem copiar até são civilizados: França e Itália. Quem tem que se preocupar com este modelo é a PSP e a PJ. Quando eles perceberem vai ser lindo.


Afinal não é nada de novo. Mais doutrina branca do engenheiro angélico e do grande estratega santos.


Só que a coisa ia sair cara. Só para formarmos uns terroristas estilo Córsega e uns mafiosos de trazer por casa a coisa não é simples. Este estilo de polícia não foi criada como nos querem fazer acreditar os nossos generais para combater o crime transnacional mas sim o de trazer por casa...


Mas o melhor a fazer é baixar à Terra e termos noção das nossas competências. Vamos mas é apreender um peneireiro e levantar mais um auto por uma queimada, talvez outro num ferro velho. Afinal hoje a GNR serve para isto e pouco mais. O resto, basta ler a Lei da Organização da Investigação Criminal e ver quem tem as competências.

6 comentários:

Anónimo disse...

Ainda havemos ver um "general" do exército a comandar uma coluna de carros de combate, ou será de tanques!!! e a interceptar uns suspeitos de assalto a um banco e a D. Valentina sentada na torre do cc do comandante a fazer a reportagem!!!
Será que depois são julgados em tribunal militar!
Haja decência, rigor e sobretudo saibam do que falam! não mudem a constituição, mudem-nos a eles é mais fácil, mais barato e mais útil ao País!

P.S. aproveitem o brilhante coronel da Guarda "ao serviço do exército" e façam uma nova constituição, á medida!

Anónimo disse...

Tens toda a razão Jacaré, eles que leiam a LOIC e que vejam o que lhes resta. Se calhar tantos eles como os acólitos que agora até inventaram uma nova medalha, não sabem o significado de "plurilocalizado", "pluralidade de agentes ou de vítimas", ou ainda de "conhecimentos ou meios de elevada especialidade técnica".
Aprendam a ler nas entrelinhas e redireccionem-se para a verdadeira razão de existir da Guarda – os Postos – de onde todos querem agora fugir. Porque se tivessem olhado para isso atempadamente não andaríamos agora aos saltos por entre muros e vales a policiar o que nos resta da quadrícula. Sim, o que nos resta da quadrícula, porque o que era bom e dava visibilidade ficou para quem se soube adaptar aos novos tempos e aos novos ventos.

Quanto ao comentador anterior, gostei da imagem da VM na torre do carro de combate no assalto ao banco. De preferência com alguns dos "especialistas" que por aí vegetam a tomar conta da ocorrência.

Simplesmente Manel

O Jacaré 007 disse...

Atrás de mim virá quem de mim um grande "pensador" fará!

Alferuz Armarius

(Filósofo sem pátria que terá vivido algures ..... por aí)...na "twilight zone".


e também gostava de se demitir.

Anónimo disse...

Simplesmente Manel

Eles leram a LOIC, então até defendem que a Guarda acompanhe as FA nas missões no estrangeiro, "porque só a Guarda tem competência para investigar e deter, veja-se o que sucedeu com o caso de pirataria em que a fragata portuguesa deteve os piratas e teve de os os libertar, por não terem competência para efectuar detenções", leram o DN? Brilhante prosa!...ou seja, Direito Internacional, Direito Penal, o que é isso e para que serve?! Nada...Santa ignorância!
Gostei da máxima do "grande" pensador!!!

Anónimo disse...

O Alferus Armariuz,esse grande pensador, pensava tanto, mas tanto, só que pensava naquilo em que não devia pensar, e por isso, nunca pensava no que devia pensar, estando na origem de uma grande linha de pensamento que agora infesta as "nossas fileiras",muito próxima daquilo que foram os sofistas em contraposição com os pensadores da linha socrática.

Simplesmente Manel

Anónimo disse...

Meus caros

O TGCG tem, na minha modesta opinião, uma linha de pensamento e actuação que só está a ir ao encontro das aspirações do Exército.
Julgo ser hora de o pessoal se assumir, em especial os sr. Coronéis, e tratar de tomar posições no sentido de acabar desde já, mas de forma devidamente faseada, com as comissões de oficiais do exército na Guarda. Quem é que é capaz de dizer ( com propriedade) qual é a mais valia que estes quadros superiores trouxeram (ou trazem) à Guarda ( mas ao Exército trazem - não esquecer que cada MG ao vir para a Guarda abre no Exército as seguintes vagas: 1 MGen, 1 Cor, 1 TCor e 1 Mj. E os nossos quadros?)?
Tratado este assunto, então podemos discutir o posicionamento das Forças de Segurança no nosso país.

Para já disse