
Eu já vi a luz!
Várias vezes!... Pelo menos duas e meia!
E não foi como muitos outros que foram ao engano à Cova de Iria ou com o Bispo Tadeu!
Eu já vi a luz a sério! A primeira vez não foi bem a luz, foram antes estrelas quando o ti Manel das Couves me passou com as rodas do papa-reformas por cima do rabo ia eu a atravessar a Nacional 1 ali para os lados da Venda das Raparigas.
Agora das outras vezes, estava eu a fazer o meu biscate na área da restauração, vi a luz a sério pelo menos duas vezes.
Estava a servir uns croquetes e uns rissóis quando ouvi um senhor bem falante que se intitulava "o grande professor que veio do ocidente", a falar de política. Ao saber que esse ser superior era politólogo, nesse dia decidi que era isso que queria ser, o que quer que isso fosse! Mas infelizmente para mim, descobri que o meu pequeno cérebro não tinha o perfil suficiente para tão nobre missão. Fui obrigado a desistir ainda antes de começar.
Da outra vez que a luz me bateu, foi ainda com mais força e estava a servir um gin tónico ao Sultan of Swing, o homem que não resolveu o caso Maddie ao terceiro dia porque forças ocultas não deixaram. Nesse dia decidi que seria criminologista como o meu ídolo. Qual Figo, qual Rui Costa, eu queria era ser um barra.
Eis que ano e meio depois dos factos passados e sessenta mil páginas vistas à lupa, e, o meu herói, resolveu o assunto. Mas eu também já desconfiava do gajo! Sempre me pareceu suspeito! Muito suspeito!
O culpado neste caso não foi o mordomo! Foi o padre! O padre Pacheco, aquele abusador de crianças, - acho que alguém da Aldeia da Luz viu o homem a beijar duas vezes os pés do Menino Jesus, e foi bufar ao primeiro GNR que encontrou. Claro que o guita assentou o depoimento nas costas da guia de patrulha, que ficou imediatamente manchada de sumo no primeiro tasco onde o moço entrou. Logo, o documento não ficou em condições de entrar no processo, logo foi arquivado na pasta de terceira classe, logo fez com que o caso nunca mais fosse resolvido. Até o barra tirar a lupa do baú e analisar o processo. E o que não está no processo!
- É um ataque despudorado à Igreja! - defende-se o Pacheco assim que foi confrontado com a verdade inilutável dos factos.
Mas o barra vai tratar do caso, ai isso é que vai!
Isto é, vai logo que consiga sair da 5.ª dimensão, local onde ele e mais uns quantos cromos ainda se encontram desde os tempos dos terroristas das FP 25 de Abril!
Nota do Jacaré: É uma tristeza ver a quantidade de gente sem escrúpulos que anda por aí a tentar ganhar dinheiro e notoriedade à custa do azar de uma infeliz criança de cinco anos.
Pode ser que um dia algum GNR de Portimão ganhe coragem, e explique em livro, aos portugueses, de que forma correram as investigações deste caso. Nesse dia muitos perús que andam por aí armados em pavões vão ser desmascarados e colocados no devido lugar... ou seja, uns centímetros antes da sarjeta... ou mesmo lá dentro!


2 comentários:
Boa Jacaré, estiveste ao teu mais alto nível.
Os meus sinceros parabéns.
Também gostei, foi do melhor!
saudações
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