
O texto que abaixo se segue, que transcrevo sem autorização do seu autor (um distinto militar da GNR), que aproveito para saudar respeitosamente, tenta deitar por terra a célebre máxima "de pescadores, caçadores e outros mentirosos". E consegue, creio eu!
O texto é muito sensato, tal como o seu autor, e está extraordinariamente actual, já que este fim de semana, se a memória não me atraiçoa começa a época da chamada "caça de pêlo".
Amigo Zé Porteira de Almeida, permita só um reparo. Ontem na bela cidade de Setúbal, a "Confraria da Cerveja" entronizou uma quantidade de gente, entre eles o abstémio Rei sem trono, que de cerveja não percebem nada! E pelo que sei nem um único geninho foi entronizado! É injusto pois somos brilhantes e constantes consumidores! Veja lá se para o ano consegue que algum de nós seja distinguido. Se possível eu!
Um abraço e com a devida vénia aqui vai o ponderado texto:
"Etimologicamente, caçar constitui o acto de procurar ou perseguir animais, com o intuito de os matar ou apanhar vivos.
Inicialmente, tal actividade teve uma motivação meramente utilitária, com os nossos antepassados pré-históricos perseguindo, capturando e matando o estritamente necessário para garantirem a subsistência dos seus clãs ou tribos.
Nos dias de hoje, a caça, sem se desligar do seu papel muito importante na gastronomia de milhares de portugueses constitui, essencialmente, uma actividade lúdica.
Assim, e porque se está a iniciar novo ano cinegético, não podemos deixar de abordar alguns aspectos que consideramos importantes, por um lado, por um dever de consciência ao fazermos algo que consideramos útil e, por outro, para avivarmos a memória de milhares de praticantes desta actividade que, mesmo sabendo as regras que a regem e que devem, em permanência, ser observadas, por vezes as "esquecem".
Se atendermos a que toda a vivência social assenta em regras que foram consideradas como as necessárias à regulação das relações humanas, não se poderia perceber, nem tão pouco aceitar, que a caça não fosse regulada por normas que, porventura limitadoras da liberdade individual, mais não são que gestoras de um bem escasso, que urge preservar, não só para benefício dos (verdadeiros) caçadores, mas de todo um ecossistema que, a ser perturbado, poderia sofrer consequências catastróficas.
As alterações, algumas profundas, dos habitats das espécies cinegéticas, das doenças que as afectam e outras ofensivas contra elas dirigidas, desencadeiam-se mais rapidamente que a sua capacidade de adaptação a novos ambientes e das resistências às moléstias que as dizimam, pelo que urge a criação de condições favoráveis ao seu desenvolvimento sustentável, de que todos viremos a beneficiar.
Daqui, a justificação da necessidade do ordenamento do território, com atribuição de responsabilidades aos gestores dos espaços ordenados, sejam eles zonas de caça turística ou zonas de caça associativa, onde, através de normas estatutárias, se cumprem (não me passa pela cabeça outra coisa) as regras aprovadas para uma correcta actividade cinegética.
A fiscalização do exercício da caça compete à Guarda Nacional Republicana, que o fará, não só através do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, mas também de todo o dispositivo territorial, no caso presente, do Distrito de Setúbal.
A missão é vasta, pelo que, no empenhamento em tarefas de serviço, teremos que fazer uma gestão muito criteriosa dos meios humanos e materiais. Vamos estar particularmente atentos à caça furtiva, logo ilegal, à prática da caça em locais e períodos proibidos, às espécies abatidas e/ou transportadas quanto ao tipo e quantidades, à habilitação legal para caçar, quer o que diga respeito ao caçador, à arma aos cães, às condições de transporte das armas e ao consumo do álcool durante o acto venatório, sem esquecer toda a demais legislação aplicável e em vigor.
Assistimos, com muito pesar, a acidentes pessoais e com cães durante a prática da caça. A todos cabe acabar com este drama, não atirando para o interior do mato, sem ver a peça ou, vendo-a, não sabendo o que vem atrás; não atirando a tudo o que mexe, pois nem sempre é aquilo a que queremos ou podemos atirar. A camuflagem pode ser uma coisa boa para iludirmos a caça, mas também nos esconde dos demais caçadores que estão à nossa volta, pelo que é essencial e necessário que, em permanência, todos os caçadores do mesmo grupo, saibam da localização uns dos outros.
O drama dos cães abandonados não tarda em ficar bem patente nas estradas portuguesas. Contudo, sei bem que nem todos os cães que vagueiam sozinhos pelo campo ou que morrem atropelados nas estradas, causando por vezes acidentes muito graves, são abandonados pelos donos. Grande parte deles foge ao ouvir o primeiro tiro, nada fazendo com que voltem para os donos. Mas, nestas situações, o dono também não está isento de culpas, porque não treinou devidamente o seu cão. Como? Provocando sons idênticos aos tiros, em casa, com o cão controlado. Li numa revista da especialidade, que o simples facto de se deixar cair, junto a um cão, a tampa de uma panela no chão, repetidas vezes, pode ser um bom treino. Mais? Puxem pela imaginação, desde que tal não implique quaisquer tipos de maus tratos.
E, por favor, deixem de afinar a pontaria das vossas armas utilizando como alvos os sinais de trânsito. Quando ouço, a acompanhar comentários muito desagradáveis, que aquilo é obra de caçadores, sinto-me ofendido, como caçador que sou e, como eu, milhares que nunca praticamos tal acto de vandalismo gratuito, que destrói um bem público pago por todos nós, não posso deixar de sentir na pele o efeito da generalização humilhante que o termo "caçadores" implica, nesse contexto justificadamente crítico. Como em tudo na vida, há os verdadeiros e os que se intitulam como tal. Seria bom que não se tomasse a parte pelo todo.
Para finalizar, solicito a todos quantos entendem a caça na sua verdadeira essência e a praticam em conformidade com a legislação vigente, que denunciem todos os actos ilegais previstos na lei, pois só assim conseguiremos erradicar esse enorme flagelo.
Boas caçadas legais."
Inicialmente, tal actividade teve uma motivação meramente utilitária, com os nossos antepassados pré-históricos perseguindo, capturando e matando o estritamente necessário para garantirem a subsistência dos seus clãs ou tribos.
Nos dias de hoje, a caça, sem se desligar do seu papel muito importante na gastronomia de milhares de portugueses constitui, essencialmente, uma actividade lúdica.
Assim, e porque se está a iniciar novo ano cinegético, não podemos deixar de abordar alguns aspectos que consideramos importantes, por um lado, por um dever de consciência ao fazermos algo que consideramos útil e, por outro, para avivarmos a memória de milhares de praticantes desta actividade que, mesmo sabendo as regras que a regem e que devem, em permanência, ser observadas, por vezes as "esquecem".
Se atendermos a que toda a vivência social assenta em regras que foram consideradas como as necessárias à regulação das relações humanas, não se poderia perceber, nem tão pouco aceitar, que a caça não fosse regulada por normas que, porventura limitadoras da liberdade individual, mais não são que gestoras de um bem escasso, que urge preservar, não só para benefício dos (verdadeiros) caçadores, mas de todo um ecossistema que, a ser perturbado, poderia sofrer consequências catastróficas.
As alterações, algumas profundas, dos habitats das espécies cinegéticas, das doenças que as afectam e outras ofensivas contra elas dirigidas, desencadeiam-se mais rapidamente que a sua capacidade de adaptação a novos ambientes e das resistências às moléstias que as dizimam, pelo que urge a criação de condições favoráveis ao seu desenvolvimento sustentável, de que todos viremos a beneficiar.
Daqui, a justificação da necessidade do ordenamento do território, com atribuição de responsabilidades aos gestores dos espaços ordenados, sejam eles zonas de caça turística ou zonas de caça associativa, onde, através de normas estatutárias, se cumprem (não me passa pela cabeça outra coisa) as regras aprovadas para uma correcta actividade cinegética.
A fiscalização do exercício da caça compete à Guarda Nacional Republicana, que o fará, não só através do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, mas também de todo o dispositivo territorial, no caso presente, do Distrito de Setúbal.
A missão é vasta, pelo que, no empenhamento em tarefas de serviço, teremos que fazer uma gestão muito criteriosa dos meios humanos e materiais. Vamos estar particularmente atentos à caça furtiva, logo ilegal, à prática da caça em locais e períodos proibidos, às espécies abatidas e/ou transportadas quanto ao tipo e quantidades, à habilitação legal para caçar, quer o que diga respeito ao caçador, à arma aos cães, às condições de transporte das armas e ao consumo do álcool durante o acto venatório, sem esquecer toda a demais legislação aplicável e em vigor.
Assistimos, com muito pesar, a acidentes pessoais e com cães durante a prática da caça. A todos cabe acabar com este drama, não atirando para o interior do mato, sem ver a peça ou, vendo-a, não sabendo o que vem atrás; não atirando a tudo o que mexe, pois nem sempre é aquilo a que queremos ou podemos atirar. A camuflagem pode ser uma coisa boa para iludirmos a caça, mas também nos esconde dos demais caçadores que estão à nossa volta, pelo que é essencial e necessário que, em permanência, todos os caçadores do mesmo grupo, saibam da localização uns dos outros.
O drama dos cães abandonados não tarda em ficar bem patente nas estradas portuguesas. Contudo, sei bem que nem todos os cães que vagueiam sozinhos pelo campo ou que morrem atropelados nas estradas, causando por vezes acidentes muito graves, são abandonados pelos donos. Grande parte deles foge ao ouvir o primeiro tiro, nada fazendo com que voltem para os donos. Mas, nestas situações, o dono também não está isento de culpas, porque não treinou devidamente o seu cão. Como? Provocando sons idênticos aos tiros, em casa, com o cão controlado. Li numa revista da especialidade, que o simples facto de se deixar cair, junto a um cão, a tampa de uma panela no chão, repetidas vezes, pode ser um bom treino. Mais? Puxem pela imaginação, desde que tal não implique quaisquer tipos de maus tratos.
E, por favor, deixem de afinar a pontaria das vossas armas utilizando como alvos os sinais de trânsito. Quando ouço, a acompanhar comentários muito desagradáveis, que aquilo é obra de caçadores, sinto-me ofendido, como caçador que sou e, como eu, milhares que nunca praticamos tal acto de vandalismo gratuito, que destrói um bem público pago por todos nós, não posso deixar de sentir na pele o efeito da generalização humilhante que o termo "caçadores" implica, nesse contexto justificadamente crítico. Como em tudo na vida, há os verdadeiros e os que se intitulam como tal. Seria bom que não se tomasse a parte pelo todo.
Para finalizar, solicito a todos quantos entendem a caça na sua verdadeira essência e a praticam em conformidade com a legislação vigente, que denunciem todos os actos ilegais previstos na lei, pois só assim conseguiremos erradicar esse enorme flagelo.
Boas caçadas legais."
Texto da autoria de José Porteira de Almeida, Militar da GNR, e publicado em http://www.setubalnarede.pt/


4 comentários:
Com autorização do jacaré e porque sei que este blogue é frequentado por muito boa gente da GNR e de outras forças de segurança, quero deixar aqui este apelo.
O Cabo Ruben Naia, depois de uma luta de 5 anos contra a doença, não resistiu e sucumbiu no dia 11 de Setembro de 2010.
Deixou e esposa viúva e 2 filhos menores, de 3 e 14 anos.
Antes de o Cabo Ruben Naia ter problemas de saúde, já a sua mãe os tinha, sendo então nessa altura o Cabo Ruben Naia e esposa a tratar da mesma em sua casa.
Com o aparecimento da doença do Cabo Ruben Naia, a sua esposa foi obrigada a perder o emprego para o acompanhar e ajudar na doença, tratar da mãe do seu marido e cuidar dos filhos.
A família ficou então dependente do vencimento da baixa do Cabo Ruben Naia.
Com o galopar da doença, o Cabo Ruben Naia e a esposa gastaram tudo o que podiam e não podiam, tinham e não tinham, para tentar parar e combater a doença.
Perante o conhecimento da difícil e complicada situação financeira, em que se encontra a esposa e filhos do Cabo Naia, os militares do Destacamento de Trânsito do Carregado, resolveram entre eles assumir as despesas do funeral.
No entanto, isso só não chega e por isso resolveram pedir ajuda e fazer um peditório a nível nacional para ajudar a esposa e filhos do Cabo Ruben Naia, que como já foi referido está desempregada, tendo a mãe do Cabo Naia, que sofre de graves problemas de saúde, bem como a sua mãe, ao seu cuidado.
Todos os que queiram ajudar, a conta tem o NIB 003300004535320486205, em nome de Antónia Rosa Branco Saramago Cordeiro Naia.
Não custa nada ajudar, o pouco que seja pode significar muito.
ORGULHO EM SER GUARDA!!
Para bom entendedor(caçador) meia palavra basta....
Companheiro,
é nesse sitio e em mais 99 ou 100.
E ainda bem!
Não seja invejoso e faça amigos!
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