
O texto que abaixo vos apresento foi escrito pelo Professor José Pacheco Pereira e publicado na revista Sábado, no passado dia 13 de Março, na sua coluna "A lagartixa e o Jacaré". Diz ainda o sábio povo, que "Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré!" Felizmente não é o meu caso!
Pacheco Pereira tem uma habitação na Marmeleira perto de Rio Maior. Será por ali o local onde se passou esta historieta? Será ela real? Algo me diz que não deve andar muito longe da verdade.
E será que alguém responsável na Instituição já terá contactado o professor para que ele esclareça melhor a situação? Vamos esperar para ver! Sentados, talvez....
"As ideias de que a maioria do País tem alguma espécie de policiamento e de que as forças de segurança, oferecem alguma segurança, só a podem ter quem viva nas cidades, onde mal ou bem, mal quase sempre, há polícias nalguns sítios. A esmagadora maioria do interior do País rural não tem qualquer policiamento, nem de perto nem de longe. A GNR, acantonada em meia dúzia de postos, está, como o próprio nome indica, acantonada. No momento em que o Governo se prepara para fechar 110 postos da GNR convém pensar duas vezes, porque se não chega a GNR a todo o lado, a droga e o pequeno crime chegam e chegam cada vez mais. Esta história verdadeira passou-se numa aldeia há menos de uma semana, a poucas dezenas de quilómetros de Lisboa, não na raia profunda. É uma história sobre as funções que só cabem ao Estado e que este escandalosamente não cumpre.
Duas bicicletas de miúdos com 10, 12 anos, deixadas na rua à porta de uma pequena biblioteca onde eles estavam, foram roubadas. É dia e é uma aldeia. Eles aperceberam-se muito pouco tempo depois, 15 minutos, no máximo meia hora, e vão falar com a responsável da biblioteca a chorar. Esta contacta a polícia, neste caso a GNR. Hesitou porque de há um ano para cá, todos os dias nesta aldeia há roubos, quase sempre pequenos roubos, há uma semana ovelhas, na anterior uma dispensa de uma quinta, objectos diversos, bicicletas, dinheiro aos velhos, computadores, etc., etc. Hesitou porque, de todas as vezes que foram feitas queixas, nunca houve qualquer sequência, nem sequer a policia veio interrogar quem fez a queixa. Zero, nada. As pessoas duvidam que valha a pena o trabalho e o risco. Mas fez. Pouco tempo depois, chega um carro da GNR.
Os seus ocupantes assumem imediatamente um tom agressivo com quem faz a queixa. Quem fez a queixa, não o podia fazer. Quem podia fazer eram os pais das crianças, que choravam ao lado a perda das bicicletas. “ Novas”, dizia um deles. Se se chamarem os pais podem fazer a queixa ali mesmo diante dos agentes da autoridade? Não, têm que ir ao posto presencialmente.
O posto é a 15 quilómetros de distância e nem toda a gente tem carro e não há transportes públicos a não ser segunda-feira. Estamos num sábado. E não se pode fazer a queixa por email, por telefone e depois autenticá-la? As pessoas pensavam que, a fazer-se alguma coisa pela GNR, ela devia ser urgente, dado que o roubo fora há muito pouco tempo. E acreditavam no Plano Tecnológico. Não, não podem, tem que ser presencial e parece que se for por email ainda demora mais, o email vai para o tribunal e só daqui a dias é que alguém faz alguma coisa. Não é tarde demais?
Vocês não podem fazer alguma coisa, dar uma volta à aldeia? As respostas dos guardas sobem ainda mais de tom e agressividade: “Sabem quem roubou? Se não sabem, não podemos fazer nada! Acham que temos uns pozinhos de perlimpimpim para descobrir quem rouba?” E pedem de modo intimidatório a identificação a quem fez a queixa e não podia fazer a queixa. Todo o comportamento foi sempre de hostilidade para as vítimas e de indiferença para com o crime.
E depois foram-se embora. Deixaram atrás impotência e revolta. Certamente esta semana haverá mais roubos e carros de grande cilindrada estacionarão nos sítios do costume para o tráfico habitual. Nesta aldeia, na do lado, na de cima, é a mesma rotina. É exactamente por tudo isto que as estatísticas do crime são matéria de ficção."
Duas bicicletas de miúdos com 10, 12 anos, deixadas na rua à porta de uma pequena biblioteca onde eles estavam, foram roubadas. É dia e é uma aldeia. Eles aperceberam-se muito pouco tempo depois, 15 minutos, no máximo meia hora, e vão falar com a responsável da biblioteca a chorar. Esta contacta a polícia, neste caso a GNR. Hesitou porque de há um ano para cá, todos os dias nesta aldeia há roubos, quase sempre pequenos roubos, há uma semana ovelhas, na anterior uma dispensa de uma quinta, objectos diversos, bicicletas, dinheiro aos velhos, computadores, etc., etc. Hesitou porque, de todas as vezes que foram feitas queixas, nunca houve qualquer sequência, nem sequer a policia veio interrogar quem fez a queixa. Zero, nada. As pessoas duvidam que valha a pena o trabalho e o risco. Mas fez. Pouco tempo depois, chega um carro da GNR.
Os seus ocupantes assumem imediatamente um tom agressivo com quem faz a queixa. Quem fez a queixa, não o podia fazer. Quem podia fazer eram os pais das crianças, que choravam ao lado a perda das bicicletas. “ Novas”, dizia um deles. Se se chamarem os pais podem fazer a queixa ali mesmo diante dos agentes da autoridade? Não, têm que ir ao posto presencialmente.
O posto é a 15 quilómetros de distância e nem toda a gente tem carro e não há transportes públicos a não ser segunda-feira. Estamos num sábado. E não se pode fazer a queixa por email, por telefone e depois autenticá-la? As pessoas pensavam que, a fazer-se alguma coisa pela GNR, ela devia ser urgente, dado que o roubo fora há muito pouco tempo. E acreditavam no Plano Tecnológico. Não, não podem, tem que ser presencial e parece que se for por email ainda demora mais, o email vai para o tribunal e só daqui a dias é que alguém faz alguma coisa. Não é tarde demais?
Vocês não podem fazer alguma coisa, dar uma volta à aldeia? As respostas dos guardas sobem ainda mais de tom e agressividade: “Sabem quem roubou? Se não sabem, não podemos fazer nada! Acham que temos uns pozinhos de perlimpimpim para descobrir quem rouba?” E pedem de modo intimidatório a identificação a quem fez a queixa e não podia fazer a queixa. Todo o comportamento foi sempre de hostilidade para as vítimas e de indiferença para com o crime.
E depois foram-se embora. Deixaram atrás impotência e revolta. Certamente esta semana haverá mais roubos e carros de grande cilindrada estacionarão nos sítios do costume para o tráfico habitual. Nesta aldeia, na do lado, na de cima, é a mesma rotina. É exactamente por tudo isto que as estatísticas do crime são matéria de ficção."







