domingo, 30 de março de 2008

AS BICICLETAS


O texto que abaixo vos apresento foi escrito pelo Professor José Pacheco Pereira e publicado na revista Sábado, no passado dia 13 de Março, na sua coluna "A lagartixa e o Jacaré". Diz ainda o sábio povo, que "Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré!" Felizmente não é o meu caso!

Pacheco Pereira tem uma habitação na Marmeleira perto de Rio Maior. Será por ali o local onde se passou esta historieta? Será ela real? Algo me diz que não deve andar muito longe da verdade.


E será que alguém responsável na Instituição já terá contactado o professor para que ele esclareça melhor a situação? Vamos esperar para ver! Sentados, talvez....


"As ideias de que a maioria do País tem alguma espécie de policiamento e de que as forças de segurança, oferecem alguma segurança, só a podem ter quem viva nas cidades, onde mal ou bem, mal quase sempre, há polícias nalguns sítios. A esmagadora maioria do interior do País rural não tem qualquer policiamento, nem de perto nem de longe. A GNR, acantonada em meia dúzia de postos, está, como o próprio nome indica, acantonada. No momento em que o Governo se prepara para fechar 110 postos da GNR convém pensar duas vezes, porque se não chega a GNR a todo o lado, a droga e o pequeno crime chegam e chegam cada vez mais. Esta história verdadeira passou-se numa aldeia há menos de uma semana, a poucas dezenas de quilómetros de Lisboa, não na raia profunda. É uma história sobre as funções que só cabem ao Estado e que este escandalosamente não cumpre.
Duas bicicletas de miúdos com 10, 12 anos, deixadas na rua à porta de uma pequena biblioteca onde eles estavam, foram roubadas. É dia e é uma aldeia. Eles aperceberam-se muito pouco tempo depois, 15 minutos, no máximo meia hora, e vão falar com a responsável da biblioteca a chorar. Esta contacta a polícia, neste caso a GNR. Hesitou porque de há um ano para cá, todos os dias nesta aldeia há roubos, quase sempre pequenos roubos, há uma semana ovelhas, na anterior uma dispensa de uma quinta, objectos diversos, bicicletas, dinheiro aos velhos, computadores, etc., etc. Hesitou porque, de todas as vezes que foram feitas queixas, nunca houve qualquer sequência, nem sequer a policia veio interrogar quem fez a queixa. Zero, nada. As pessoas duvidam que valha a pena o trabalho e o risco. Mas fez. Pouco tempo depois, chega um carro da GNR.
Os seus ocupantes assumem imediatamente um tom agressivo com quem faz a queixa. Quem fez a queixa, não o podia fazer. Quem podia fazer eram os pais das crianças, que choravam ao lado a perda das bicicletas. “ Novas”, dizia um deles. Se se chamarem os pais podem fazer a queixa ali mesmo diante dos agentes da autoridade? Não, têm que ir ao posto presencialmente.
O posto é a 15 quilómetros de distância e nem toda a gente tem carro e não há transportes públicos a não ser segunda-feira. Estamos num sábado. E não se pode fazer a queixa por email, por telefone e depois autenticá-la? As pessoas pensavam que, a fazer-se alguma coisa pela GNR, ela devia ser urgente, dado que o roubo fora há muito pouco tempo. E acreditavam no Plano Tecnológico. Não, não podem, tem que ser presencial e parece que se for por email ainda demora mais, o email vai para o tribunal e só daqui a dias é que alguém faz alguma coisa. Não é tarde demais?
Vocês não podem fazer alguma coisa, dar uma volta à aldeia? As respostas dos guardas sobem ainda mais de tom e agressividade: “Sabem quem roubou? Se não sabem, não podemos fazer nada! Acham que temos uns pozinhos de perlimpimpim para descobrir quem rouba?” E pedem de modo intimidatório a identificação a quem fez a queixa e não podia fazer a queixa. Todo o comportamento foi sempre de hostilidade para as vítimas e de indiferença para com o crime.
E depois foram-se embora. Deixaram atrás impotência e revolta. Certamente esta semana haverá mais roubos e carros de grande cilindrada estacionarão nos sítios do costume para o tráfico habitual. Nesta aldeia, na do lado, na de cima, é a mesma rotina. É exactamente por tudo isto que as estatísticas do crime são matéria de ficção."

quinta-feira, 27 de março de 2008

PARABÉNS À ASFIC


A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da Polícia Judiciária (PJ) considerou ontem, data do seu 25.º aniversário, que o Governo "falhou em toda a linha" nas duas "reformas essenciais à instituição".


A ASFIC refere-se, em comunicado, à Lei Orgânica da PJ e à Lei das Carreiras.
"(O Governo) não cumpriu os prazos para estas duas reformas. Os funcionários da PJ estão há dois anos à espera de uma nova Lei Orgânica que reestruture a instituição e a adapte aos novos tempos e à nova realidade criminal, bem como estamos há um ano e meio à espera de um reformulação das carreiras, reforma essa prometida pelo Ministério da Justiça, como forma de resolver todos os problemas da instituição, inclusive o trabalho extraordinário", diz a ASFIC.


Num documento destinado a assinalar a efeméride dos 25 anos, a ASFIC/PJ acusa o Governo de ter sido "rápido a congelar carreiras, suplementos, a destruir sub-sistemas de saúde e a alterar o sistema de aposentação", entre outros direitos dos funcionários.
"Mas foi lento, demasiado lento, a renovar as carreiras e a resolver todo e qualquer problema que pudesse levar a que as instituições funcionassem hoje melhor do que funcionavam quando o Governo iniciou funções", acrescenta a ASFIC, alegando que no caso da PJ "o balanço é extraordinariamente negativo".


No entender da ASFIC, nunca a PJ "atingiu em todos os sectores níveis tão baixos como os que actualmente tem, sendo que o Governo tem sido o grande causador da instabilidade que a instituição tem vivido nos últimos anos".
"Por tudo, não é um aniversário passado com alegria, no sentido em que não manifesta o poder político o mais pequeno interesse em resolver os graves problemas" da PJ, observa a ASFIC, adiantando: "No entanto, é um aniversário passado com a convicção de que, apesar de tudo, seremos capazes de vencer as batalhas que se aproximam".


A concluir, enaltece todos aqueles que com "tantas dificuldades" conseguiram fazer da ASFIC/PJ a "primeira associação sindical de uma força de segurança em Portugal, bem como todos aqueles que, ao longo dos tempos, reforçaram o seu associativismo no interior da associação".

Palavra de jacaré:
O dia 3 de Maio aproxima-se. E nós o que temos a dizer???

terça-feira, 25 de março de 2008

LOCH BLUE


Aquilo de que já se suspeitava há muito tempo é mesmo verdade! A célebre Lagoa Azul, ali logo em frente ao Hotel de Charme da Quinta da Penha Longa é mesmo um cemitério de animais!

Quem o afirma com todas as letras chama-se Jorge Nascimento e é mergulhador.

Cães, gatos, porcos, vacas, galinhas, inteiros e às postas povoam o fundo da citada Lagoa.

O mergulhador afirma já ter denunciado a situação à PJ há mais de um mês, mas dali nem boi mugiu! Normal, direi!

O jornal "24 Horas" contactou a Câmara de Sintra que diz desconhecer a situação! Ainda gostava de saber qual é a situação conhecida pela Câmara de Sintra!

A RP da Câmara, Paula Colaço, ainda contactou a Polícia Municipal, mas estes também não sabiam de nada... estranho, muito estranho!

Da GNR e do ICN não obtiveram qualquer resposta porque quem poderia fazê-lo não se encontrava. Huuummm, o senhor disse bizarro? Oh como é bizarro! Vou ser obrigado a alertar o meu amigo ambiental, o Venerado do Entroncamento, para o informar do cerne do problema. Só ele o pode minorar!!! Pode ser que possa mandar avançar os lava cascos da UAF!!! Já viram o problema que pode ser os filhos do rei sem reino a beberem água inquinada??? Isto é a pior desgraça para a monarquia desde que tiveram de bazar para o Brasil, já lá vão duzentos anos.
Pelo sim pelo não também vou avisar o Fred Flinstone! De bichos mortos percebe o gajo!

Ainda quero ver o que vai fazer o "professor"! Ainda se fosse um belo de um fogo! Mandava logo avançar aquele senhor da boina preta com uns emblemas todos giraços que manda nos gajos do mangueiral! Agora logo esta temática! Vai ser alvo de mais um parecer para ver quem é o responsável pela manutenção da Lagoa! Do fundo da Lagoa direi eu!

Eu cá por mim vou telefonar ao Jorge para ver se ele dá uns mergulhos na do Rio da Mula, embora me pareça que vai estar igual!

domingo, 23 de março de 2008

O MEU "TOMAHAWK"

Um destes dias fui energicamente compelido pela minha dama a fazer alguns trabalhos manuais no meu humilde lar.
A contragosto, lá fui até à garagem procurar o "Black & Decker". Porque a tarefa não era lá muito do meu agrado demorei um bocado a achar o"brocas".
Quando dei por mim estava à frente da mala onde guardo algumas recordações da minha infância e que já estavam algo esquecidas na minha lembrança.
Ao abrir a tampa do malão dou de caras com o meu "tomahawk", que nas minhas mãos já foi uma terrível arma de guerra, que me deu a vitória nas mais diversas batalhas travadas contra os mais ferozes caras pálidas.
Grande Touro Enraivecido, um grande chefe Apache era o meu nickname, como hoje se diz! Sempre tive alguma queda para pertencer às mais variadas minorias, desde que estas possuissem um elevado grau de virilidade! Ao aderir à raça india e aos apaches, o meu tomahawk, proporcionou-me mais de uma centena de escalpes que coleccionava com um orgulho quase indescritível. Ao regressar à aldeia ao fim da tarde, debaixo de uma grande ovação de toda a tribo, trazia presas no cinto, dezenas de cabeleiras a pingar tinta côr de sangue por todo o lado! Orgulhosamente, agarrava em duas ou três sqwas e entrava com elas no meu tipi para mais uma noite de glória! Ainda bem que na altura já tinhamos descoberto a fórmula daquilo a que chamavamos "água de fogo"! Hoje há coisas parecidas e que dão ainda mais pica! Graças a Deus, por Manitou!!! (perdoem a redundância mas sempre gostei desta figura de estilo)!
Ao recordar esta fase da minha vida não consigo deixar de recordar alguns "tomahawks", que andam por aí a tentar sacar-me o escalpe! E tenho a certeza que estão quase a conseguir. Ainda bem, que esta espera já me começa a desesperar! Também não posso ajudar mais não é???

quinta-feira, 13 de março de 2008

O JOSELITUS


Após ter dado algumas baldas no decorrer das duras batalhas travadas com os vândalos, na guerra para conquistar Segurex, por ordem do Imperador Socratex Severus, a Legião Guitux que apresentava um ar demasiado marcial, foi enviada para descansar nas longínquas Termas da Lusitanix, deixando as feias cidades e a capital do Império nas mãos da Legião Cucus, que se distinguia de todas as outras pelo seu ar leve e bem cheiroso e ainda pelas belas túnicas que envergava, verdadeiras obras de arte criadas por Josex Antonius Tenentus.

A vida nas Termas era deveras aborrecida, porque a accção não abundava e sendo o álcool barato e forte, e, como os Guitux eram adeptos de uma higiene mais que duvidosa, como convém a qualquer legionário de barba rija, rapidamente se começaram a zangar uns com os outros, pelos motivos mais fúteis, aparecendo sem qualquer aviso prévio as mais variadas e sangrentas pelejas.

Para se ingressar na legião é necessário possuir determinados requisitos, entre os quais se encontravam a boa constituição física, a possessão de um ouvido apurado e de uma vista aguçada, medir pelo menos 1,75 metros e saber ler e escrever. Aos legionários também está vedado o casamento, (eh eh), apesar de serem bastante bem remunerados e a pilhagem se proporcione frequentemente.

Como é bom de ver se gente desta não se mantiver muito ocupada vai ser muito complicada de comandar!

Na região de Conventus Coventus estava estacionada uma centúria, que era comandada por um centurião, que por sua vez comandava alguns contubérnios.

Este centurião como tinha alguns tiques amaneirados e era protegido do pretor, não possuia alguns dos requisitos necessários para ser um verdadeiro legionário Guitux, sendo mais do género Cucus, pelo que tinha alguns problemas para governar alguns dos contubérnios.

Um destes, e logo um dos mais indisciplinados estava colocado estrategicamente sobre o mar e era chefiado por um legionário chamado Joselitus.

Este legionário como era um homem muito à frente para o seu tempo, um verdadeiro visionário, organizava o seu comando utilizando já muita doutrina e tecnologia simplex, que adquiria directamente no mercado paralelo na capital do Império, deixando algumas vezes o centurião seu comandante com os cabelos em pé, pelo desrespeito a que era votado.

Como é bom de ver não se adivinhava nada de bom para Joselitus. Contra sua vontade foi determinado que seria enviado para cumprir algum tempo de desterro no contubérnio de Porcus Pequenus para que aprenda a ter juízo e a deixar em paz os seus superiores.
Porém, há quem diga que Joselitus por sua vez possui muitas amigos na coorte que rodeia o próprio Imperador. Algo me diz que a peleja vai ser dura!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

OLÁ MIKE!

Olá Mike!
As más notícias têm o pé grande e como tal chegam sempre depressa a todo o lado.
Ontem estava a ver a televisão quando de repente apareceu no rodapé a legenda a dizer que tinhas partido!
O teu coração, um coração do tamanho do Mundo voltou a atraiçoar-te e, desta vez definitivamente meu amigo!
Como eu tenho pena de teres partido tão cedo, quando ainda tinhas tanta alegria e simpatia para dar.
Morreste a fazer a segunda coisa que mais gostavas. A treinar uma equipa de basquetebol!
A coisa que mais gostavas de fazer, claro, era jogar esse mesmo basquetebol, coisa que chegaste a fazer a um nível espectacular.
Ainda me lembro do longínquo ano de 1980 quando chegaste da América! Foste contratado pelo "Manel Canhoto", por catálogo, e a ganhares se não me engano 200 dólares por mês.
Naquela altura tal como hoje tinhamos pouco dinheiro e tivemos que ir ao mais barato!
Chegaste Mike, se a memória não me atraiçoa a uma quinta feira e, logo no sábado seguinte, fomos apresentar-te à "nata da sociedade" de Lisboa.
O Pica, homem experiente, organizou o "evento" e lembro-me de termos ido contigo, eu, o Pica, o Chico Gordo, o Ramalho das Batatas, o Zé João Maluco, os Gémeos e mais cinco ou seis dos teus fiéis, aquelees que viam o jogo empoleirados no "terceiro anel", que era o palco por trás da tabela do lado dos balneários. Só aquele palco já nos dava seis ou sete pontos de avanço nos jogos em casa! Tu fazias o resto claro!
Na semana a seguir à tua chegada ficaste doente. O doutor deu-te uma quantidade de penincilina que dava para curar um regimento, mas nunca ficámos a saber se o que te fez mal foram as imperiais ou os tremoços, que bebeste e comeste na Portugália da Almirante Reis! Do bife não foi, pois a carne era de primeira qualidade!
Sabes Mike, de início ficamos um bocado desconfiados com a categoria do teu basquete! O Porto já tinha tido o Dale Dover, nós já tinhamos tido o Killium, a Académica já tinha tido o Stanford. Estávamos habituados a basquete de qualidade e quando nos primeiros treinos te vimos falhar de dentro do garrafão ficámos angustiados. Mais uma carapuça pensámos!
Mas não amigo! Trabalhaste como ninguém, evoluiste, e o teu basquete altamente físico tornou-te uma lenda viva em Portugal. Até dava pena ver homens com mais de dois metros e dez a chorar que nem meninos, pois contigo a marcá-los nem conseguiam tocar na bola, quanto mais marcarem pontos.
Foi com um prazer enorme que nos baldámos às aulas para te ver treinar e, claro para te ensinar em português, as palavras que qualquer basquetebolista necessitava para sobreviver em campo e no balneário.
Ainda me lembro da cara que o Manel Canhoto fez, quando estavam a treinar uma jogada táctica para que tu encestasses e sofresses falta, para marcarmos três pontos. Tinha pelo menos três bloqueios! Como se tu precisasses de bloqueios para encestar e sofrer falta. Então pela primeira o pessoal ouviu-te dizer naquele português que nos dava um gozo do caraças escutar: "deixa-te de tangas Manel, o basquete é um jogo para meninos"!!!
Também gostavamos da tua simpatia e do teu fair-play. Nunca vi um desportista assim! A perder ou a ganhar eras a imagem da honra e da dignidade e saías de campo sempre com o dever cumprido e a camisola ensopada de suor. Merecias cada tostão que ganhavas.
Viveste em Portugal quase trinta anos. Constituiste família e amealhaste dezenas de amigos!
Ontem, sem aviso prévio, infelizmente partiste!
Desde ontem, no céu, a estrela mais brilhante já não é a Estrela Polar, é de certeza a Estrela Mike Plowden, a estrela que nos indica para que lado está a amizade, a camaradagem, a simpatia e a alegria de viver!
No sítio para onde foste tenho a certeza que já tinhas o Pica à tua espera, com uma Mikasa novinha em folha e com uma tabela já armada à beira da praia! Ele apanha Sol, tu jogas basquete!
Mike desta vez convence lá o homem que por mais Sol que apanhe nunca há-de ter a tua cor!
Até sempre amigo tenho a certeza absoluta que o pessoal nunca te esquecerá!

terça-feira, 13 de novembro de 2007